O Destino e a Deusa

De todas as manifestações religiosas, aquela que responde à Grande Deusa representa, por si só, o maior desafio à compreensão que nos pode fornecer a mitologia. Todas as culturas, todos os povos em qualquer tempo, tiveram e têm suas divindades femininas, às vezes ocupando postos centrais no panteão, às vezes vistas de modo acessório. O fato é que desde o princípio dos tempos, o ser humano busca reconhecer e integrar  a imagem da mulher de proporções míticas: sendo a Mãe terrível ou nutriz, a Amante devotada ou ressentida, a Virgem ou mesmo o Monstro, a Grande Deusa prossegue como o verdadeiro enigma do imaginário humano, sendo ela própria princípio e fim, busca e encontro, experiência e separação.

Em termos psicológicos, a imagem da Grande Deusa, em todas as suas manifestações, responde ao arquétipo do feminino em cada um nós. A experiência do mistério, da pureza, da volúpia e da redenção criam aquilo que buscamos compreender como a experiência da Vida, fornecendo os motivos da verdadeira busca por quem somos: por um lado, o feminino é o cenário de onde surgimos (a Mãe), e por outro, é aquilo que buscamos conquistar através dos sentidos (a Amante), é também a nossa vocação para a experiência religiosa pura, que engendra o absolutamente novo (a Virgem) e a natureza inefável da materialidade (representada pelo Monstro).

E é buscando penetrar nessa realidade que iniciaremos o novo curso do Monomito cujo tema é O Destino e a Deusa. Em seis encontros, traçaremos o perfil das principais deusas dos panteões do mundo, buscando confrontar imagens às vezes concordantes, às vezes antagônicas ou aparentemente distantes do feminino, mas que no fim, revelam-se sempre parte da mesma tessitura do arquétipo. E não se engane quem pense que o percurso está inteiramente traçado antes do início da jornada. Os domínios da Deusa são vastos e transcendem o conhecimento que temos deles, instaurando-se como realidades, muitas vezes distantes de qualquer porto seguro. A Deusa é perigosa e exige devoção e cuidado.

Em cada um dos seis encontros abordaremos três deusas, suas formas de atuação e suas características simbólicas.

A duração total da exposição em cada encontro é de 1h30min

Veja a relação das deusas abordadas logo abaixo

1º Encontro – O Destino e a Deusa

2º Encontro – Ísis, Perséfone e Astarte – Jornada ao Mundo Inferior

3º Encontro – Ártemis, Lilith e Oxum – Desejo e Proibição

4º Encontro – Erínias, Kali e Iya Mi Oxorongá – A Deusa é o Abismo

5º Encontro – Athena, Sedna e Sofia– Perda e Ressignificação

6º Encontro – Kuan Yin, Shakti e Tiamat – A Fonte Inesgotável da Existência

Consulte através do e-mail os custos e demais informações sobre o curso

jdlucas.contato@gmail.com

ou

21 983931078 

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JD Lucas é mitólogo e escritor. Coordenador da Mythological RoundTable© Rio de Janeiro, núcleo da Joseph Campbell Foundation no Brasil. Ministra cursos no campo da mitologia e do simbolismo comparado. Criou o primeiro curso de Introdução ao Mito, além de O Caminho do Alquimista (utilizando o Tarô de Marselha como tema) e do curso de Mitologia Afro-Brasileira. Atua junto a instituições públicas e privadas na disseminação da mitologia como possibilidade de experiência do conhecimento. Para parcerias e dúvidas, ou se deseja um curso presencial para grupos específicos, envie e-mail para jdlucas.contato@gmail.com.

O simbolismo do casamento

O ritual do casamento sempre foi análogo à morte. Simbolicamente, entende-se que os noivos morrem para condição infantil e passam para o novo plano existencial reunidos numa nova entidade, de seres unificados, maduros, que contribuirá com filhos e reiterará a estrutura familiar  fundamental da sociedade.

Entre nós, certos símbolos e costumes tratam de expor o simbolismo do casamento como evento de morte que enseja o renascimento. A Aliança como símbolo daquilo que está completo, perfeito, equalizado, unificado. A cor branca do vestido é análoga à pureza e castidade, ao imaculado, e portanto, ao nascido; o que diz respeito também ao simbolismo do Véu, que separa a noiva do mundo comum e a insere no mundo imaculado (o Lar). O lançamento de grãos, especialmente o Arroz, como costume herdado do oriente com vias de promover a fertilidade. Também é característica simbólica da história de Perséfone que a noiva seja raptada (lua de mel) para o subterrâneo (morte) e posteriormente, retorne (renascimento). Perséfone também é associada ao ciclo da vegetação (grãos), que perfaz, portanto, todo o simbolismo exposto até aqui.

O casamento em outras sociedades, com toda variação de cores, estilos, costumes e jogos, reitera o mesmo simbolismo. E não foi diferente com um casal  de filipinos. Dias depois de haver pedido Leizel May em casamento, Rowden Go, de 29 anos, foi surpreendido pela notícia de que tinha um câncer no fígado que o mataria em pouco tempo. Conforme a vontade dos noivos de prosseguir com a cerimônia, os familiares se mobilizaram e, em 12 horas, a o ritual foi realizado.

O vídeo que você vai assistir agora foi divulgado pelo irmão do noivo, Hasset Go, que também foi padrinho. Os padrinhos, desde a antiguidade, são eleitos para garantir o renascimento dos noivos e crianças. São uma espécie de âncora do mundo espiritual, que não permitem, pela sua força, que o espírito se perca na troca de planos. É por isso que batizamos nossos filhos e elegemos padrinhos em nosso casamento, para que de sua força tenhamos a segurança de realizar a travessia.

Rowden Go morreu dez horas depois de casado.

 

Fonte: Catraca Livre

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Como hierofania (manifestação do sagrado), o casamento reitera a união fundamental entre Céu e Terra para a criação da Vida. Una-se ao Monomito em sagrado matrimônio e assine o blog para receber outros presentes como esse. Basta preencher seu e-mail e clicar em enviar no fim da página ou no menu do cabeçalho.

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