A Jornada do Herói

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MONOMITO é o termo que Joseph Campbell escolhe para expressar uma estrutura contida na construção de relatos mitológicos. Basicamente, no monomito, o herói percorre três estágios absolutos:

Separação, em que se desprende da totalidade que o agrega em busca de um novo paradigma, uma nova experiência de estar vivo.

Iniciação, em que penetra nos mistérios aos quais o sujeito comum não está habituado, e sofre profundas transformações em sua natureza e constituição;

e Retorno, quando conclui as provas da iniciação e volta à comunidade acrescido da experiência transformadora.

Se pensarmos nos heróis mitológicos que as tradições nos legaram, podemos perceber que todos eles expressam realidades comuns entre si, ou pelo menos que suas aventuras parecem responder a um mesmo princípio estruturante, que é o princípio da busca. Um herói sempre estará em-busca de realizar algo; assim, comparando Odisseu, Gilgamesh, Ishtar, Robin Hood, Joana Dar’c, Thor, Jesus, Ogum, e uma infinidade de outros heróis, percebe-se que suas histórias são compostas por elementos que guardam muitos pontos de convergência. Vamos partir do estudo do monomito para encontrar esses pontos, e construir daí então, nossa própria ótica a respeito do fato mitológico, para depreender o raio de sua influência na constituição de quem somos.

Aos criadores de ficções (escritores, cineastas, artistas plásticos etc.) o conhecimento do mito já se mostrou imensamente proveitoso; basta retomarmos superficialmente a história das artes, para perceber o quanto esta é influenciada, mesmo definida, pela cultura do relato heroico ou de formação. Estenderemos o debate sobre isso também, sempre que possível utilizando material de referência para comparação, mas sobretudo, buscando consolidar nossa própria visão do fato, que esteja intimamente implicada  em nossa experiência de mundo.

Ainda que você não seja um especialista na manipulação dos símbolos mitológicos em ficções, o conteúdo de nosso espaço deve atingi-lo também: isso porque o mito é universal, acontece aqui e ali de maneira espontânea, autóctone, e dissemina-se pelos quatro cantos, para além das fronteiras geográficas e precisas demarcadas pelo homem.

Não faz sentido — não aqui, para nós — perguntar se houve ou não houve um Gilgamesh ou Jesus histórico, e até que ponto ele corresponde ao que encontramos nos relatos mitológicos que nos chegaram. Basta assinalar que, para além da verdade e da mentira, suas histórias continuam maravilhando nossos corações cheios de anseios de significação.

Sintetizando, nas palavras de SALUSTIO:

Estas cosas jamás sucedieron, pero existen siempre.

Boa Jornada!

482207_559211277432838_553422366_nSou escritor e editor na CalangoRex. Autor de José e da série Novelas Extraordinárias (Móbile, 2013). Graduando na Universidade Federal do Rio de Janeiro no curso de Letras Clássicas. Investigo mitologia a partir da psicologia, literatura, matemática e antropologia, além da vivência cotidiana de todos os delírios e absurdos. Seja bem vindo. 

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