Xamanismo Tupi-Guarani

Um dia – crê o povo Tupi-Guarani – Tupã, o Grande Espírito, despertará no coração dos seres humanos, e através de indivíduos alinhados com a verdadeira vontade da vida, conduzirá a humanidade por um caminho de generosidade e força, suavidade e aceitação. O mundo não será perfeito, posto que as coisas estão sempre se transformando, e a imperfeição é a sua linguagem. Mas por esse caminho, seremos conduzidos e conduziremos a existência a um lugar-de-ser onde natureza e cultura, tradição e modernidade, conviverão mais positivamente, e se buscará que todo progresso seja o mais proveitoso para a cadeia de seres vivos, nossos irmãos, que compõem o planeta.
Ainda choraremos nossos mortos, mas com menos senso de injustiça, porque compreenderemos que a morte é um intervalo na História do Grande Espírito. Ainda sofreremos a dor, mas ela será capaz de nos ensinar mais sobre quem somos. Ainda teremos grandes problemas, mas nossa forma de encará-los realmente será diversa, ampliada, mais profunda do que é hoje. E emergiremos, buscaremos emergir desses problemas com um senso novo de realidade.
O tempo de Tupã é este. Nosso papel, como portadores da fagulha vital, é abrir a porta para receber o Grande Espírito. Sejamos nós os primeiros a contar a boa nova: que o tempo de despertar para a Vida chegou, e seguiremos nele daqui para frente.
Sinta as batidas do seu coração, e diga se não é o próprio Grande Espírito falandoTu Pã, Tu Pã, Tu Pã…

Xamanismo Tupi-Guarani

Nos próximos dias 18 e 25 de Agosto nos encontraremos para uma introdução ao Xamanismo Tupi-Guarani, num percurso de reconhecimento dos saberes ancestrais indígenas à partir dos seus cânticos sagrados. Desde os primórdios, as primeiras manifestações mitológicas mais genuínas sempre foram passadas de geração a geração através da música. Isso porque em comunidades ágrafas (sem escrita histórica) o amparo em métricas, melodias e ritmos além de fortalecer-se na memória como marcadores, também marca o próprio modo como a vida expressa seus fluxos. A Odisseia e a Ilíada, poemas gregos máximos do povo grego, eram cantados por Homero. O Enuma Elish, épico Babilônico também foi composto para ser declamado, um extenso e comovente hino sobre as Origens. Tantos outros registros mitológicos de profunda beleza nos legaram os povos tradicionais de todo o mundo, e este conhecimento pouco a pouco sucumbe pela destruição sistemática de seus representantes.

No entanto, tem havido também um importante trabalho de resistência e, sobretudo, de existência, das comunidades originárias não só no Brasil como em todo o planeta. Gradativa e irreversivelmente, despertamos para essa realidade onde os saberes ancestrais não precisem estar em desvantagem em relação aos discursos e práticas modernos, mas pelo contrário, compondo assim, em união, um quadro de totalidade: o tradicional operando à partir de novas linguagens (como o digital, a troca de conhecimento remoto), e também o moderno empreendendo a difícil jornada ao encontro dos seus fundamentos, sem se deixar vencer pela fragmentação.  O Monomito se alinha a esse novo modo de compreender e experimentar a vida, e espera que isso se amplie cada vez mais, para formar uma grande teia de ações engajadas e oportunas, que defenda o planeta dos malefícios que a própria humanidade é capaz de realizar, no fim das contas, contra ela mesma.

1º Encontro
O Povos Originários – A Invenção do Índio
O Descobrimento das Américas – Visão dos povos nativos
Cosmovisão – A Essência e a Existência

2º Encontro
Cânticos Sagrados Tupi-Guarani – O Mito da Origem
Deuses da Criação – Componentes da Personalidade
Visão dos Símbolos Naturais
Encerramento: Um novo início, um novo ciclo

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Aquelas (es) que desejarem participar dos encontros devem se orientar pelas informações abaixo

Online (via Hangouts) – Gravação disponível paa quem não puder assistir ao vivo ou queira rever

Dias 18 e 25 de Agosto

Investimento: 120 até dia 15 (após essa data, 160 reais)

Método de pagamento: Paypal, Depósito ou Transferência para

Banco do Brasil, AG 3652-8 CC 61708-3

Envie o comprovante de depósito ou suas dúvidas para jdlucas.contato@gmail.com

Mitologia é a canção do Universo. Até lá!

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JD Lucas é mitólogo e escritor. Atualmente, ministra cursos de Introdução ao Mito e Mitologia Afro-Brasileira. É pesquisador membro da Joseph Campbell Foundation, e líder da RoundTable Mitológica Rio de Janeiro, célula do programa de círculos de discussão de Mitologia espalhados por todo o planeta.

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A Inocência Original

A coragem de enfrentar julgamentos e trazer todo um novo conjunto de possibilidades para o campo da experiência interpretável, para serem experimentadas por outras pessoas, é essa a façanha do herói.

 Joseph Campbell

É um fato que pioneiros em qualquer área de atuação sejam tratados por levianos por aqueles que estão confortáveis no estabelecido, que sua conduta seja associada ao erro., com a consequente estigmatização. Todo aquele que tenta propor novas regras num jogo, outra perspectiva de pensamento, novos modos de ver a situação, geralmente é alvo de preconceito. Galileu Galilei ousou professar que a Terra girava em torno do Sol, rebatendo a doutrina geocêntrica imposta pela Igreja, e amargou o cárcere pelo resto dos seus dias por ter ousado sugerir — pelo menos na cabeça dos que o prenderam — que a criação divina é que estivesse girando em torno de um astro que foi durante muito tempo associado a divindades pagãs. Foi um corte entre o pensamento dogmático religioso e o modo de ver científico. A partir dali, Kepler pôde formular questões sobre a mecânica celeste que abriram precedente teórico para Isaac Newton chegar até a concepção de gravitação universal, modelo de pensamento que usamos ainda hoje.

As narrativas mitológicas também têm algo a dizer sobre isso. Pra citar dois exemplos clássicos, temos o mito de Prometeu, titã responsável pela criação humana, que roubou de Zeus o fogo e o entregou aos homens, a incauta Eva, que prova do fruto do conhecimento.

Prometeu é condenado a sofrer que uma águia lhe arranque o fígado todos dias enquanto está acorrentado a uma rocha, enquanto Eva e seu companheiro sofrem uma série de sanções, especialmente terem de abandonar o idílio e ganharem a vida com suor no rosto, labutando sobre a Terra. Com o fogo, Prometeu entrega aos homens o controle sobre seu próprio destino, transferindo-lhes o conhecimento da forjaria, do cozimento dos alimentos, da proteção contra os predadores, da clarividência. Eva, no mito do Gênesis, é expulsa da perfeição paradisíaca por ter, junto com Adão, ousado tornar-se igual a Deus, conhecedora do bem e do mal.

As atitudes nos dois relatos são de pura inocência. Eva, para ter comido do fruto, necessitou ser enganada pela astuta serpente; e o que é a serpente senão outra face do mesmo deus que diz para comer de todo fruto do Jardim, menos da árvore que está no centro — ou seja, instaurando a desconfiança e a curiosidade, que são a própria base do conhecimento? Prometeu quer levar à máxima obediência a designação do próprio Zeus de que deveria criar a humanidade; o que seria da humanidade, afinal, se não tivesse o conhecimento da preparação do fogo? Para obedecer plenamente a Zeus, Prometeu necessita desobedecê-lo. Aliás, a etimologia arcaica de Prometeu é pro “antes” e manthano  “aprender”, ou seja, aquele que aprende antes.

A pena imposta aos que têm ideias e decidem pô-las em prática é o trabalho. Nenhuma ideia útil veio à tona sem que com isso se precisasse devotar-lhe sacrifícios diários (fígado de Prometeu) e busca por conhecimento (expulsão do paraíso/zona de conforto). Pode parecer uma obviedade dizer isso, mas as maiores verdades são, afinal, bastante óbvias: benefícios plenos exigem sacrifícios verdadeiros.

Se você deseja aprofundar seus estudos de mitologia, conheça os cursos do Monomito. A sugestão para esse texto é o curso sobre A Jornada do Herói. No link abaixo, você assiste gratuitamente a primeira aula.

Conheça

A JORNADA DO HERÓI

JD Lucas é mitólogo e escritor. Coordenador da Mythological RoundTable© Rio de Janeiro, núcleo da Joseph Campbell Foundation no Brasil. Ministra cursos no campo da mitologia e do simbolismo comparado. Criou o primeiro curso de Introdução ao Mito, além de O Caminho do Alquimista (utilizando o Tarô de Marselha como tema) e do curso de Mitologia Afro-Brasileira. Atua junto a instituições públicas e privadas na disseminação da mitologia como possibilidade de experiência do conhecimento. Para parcerias e contratações, envie e-mail para jdlucas.contato@gmail.com.