O Destino e a Deusa

De todas as manifestações religiosas, aquela que responde à Grande Deusa representa, por si só, o maior desafio à compreensão que nos pode fornecer a mitologia. Todas as culturas, todos os povos em qualquer tempo, tiveram e têm suas divindades femininas, às vezes ocupando postos centrais no panteão, às vezes vistas de modo acessório. O fato é que desde o princípio dos tempos, o ser humano busca reconhecer e integrar  a imagem da mulher de proporções míticas: sendo a Mãe terrível ou nutriz, a Amante devotada ou ressentida, a Virgem ou mesmo o Monstro, a Grande Deusa prossegue como o verdadeiro enigma do imaginário humano, sendo ela própria princípio e fim, busca e encontro, experiência e separação.

Em termos psicológicos, a imagem da Grande Deusa, em todas as suas manifestações, responde ao arquétipo do feminino em cada um nós. A experiência do mistério, da pureza, da volúpia e da redenção criam aquilo que buscamos compreender como a experiência da Vida, fornecendo os motivos da verdadeira busca por quem somos: por um lado, o feminino é o cenário de onde surgimos (a Mãe), e por outro, é aquilo que buscamos conquistar através dos sentidos (a Amante), é também a nossa vocação para a experiência religiosa pura, que engendra o absolutamente novo (a Virgem) e a natureza inefável da materialidade (representada pelo Monstro).

E é buscando penetrar nessa realidade que iniciaremos o novo curso do Monomito cujo tema é O Destino e a Deusa. Em seis encontros, traçaremos o perfil das principais deusas dos panteões do mundo, buscando confrontar imagens às vezes concordantes, às vezes antagônicas ou aparentemente distantes do feminino, mas que no fim, revelam-se sempre parte da mesma tessitura do arquétipo. E não se engane quem pense que o percurso está inteiramente traçado antes do início da jornada. Os domínios da Deusa são vastos e transcendem o conhecimento que temos deles, instaurando-se como realidades, muitas vezes distantes de qualquer porto seguro. A Deusa é perigosa e exige devoção e cuidado.

Em cada um dos seis encontros abordaremos três deusas, suas formas de atuação e suas características simbólicas.

A duração total da exposição em cada encontro é de 1h30min

Veja a relação das deusas abordadas logo abaixo

1º Encontro – O Destino e a Deusa

2º Encontro – Ísis, Perséfone e Astarte – Jornada ao Mundo Inferior

3º Encontro – Ártemis, Lilith e Oxum – Desejo e Proibição

4º Encontro – Erínias, Kali e Iya Mi Oxorongá – A Deusa é o Abismo

5º Encontro – Athena, Sedna e Sofia– Perda e Ressignificação

6º Encontro – Kuan Yin, Shakti e Tiamat – A Fonte Inesgotável da Existência

Consulte através do e-mail os custos e demais informações sobre o curso

jdlucas.contato@gmail.com

ou

21 983931078 

*

JD Lucas é mitólogo e escritor. Coordenador da Mythological RoundTable© Rio de Janeiro, núcleo da Joseph Campbell Foundation no Brasil. Ministra cursos no campo da mitologia e do simbolismo comparado. Criou o primeiro curso de Introdução ao Mito, além de O Caminho do Alquimista (utilizando o Tarô de Marselha como tema) e do curso de Mitologia Afro-Brasileira. Atua junto a instituições públicas e privadas na disseminação da mitologia como possibilidade de experiência do conhecimento. Para parcerias e dúvidas, ou se deseja um curso presencial para grupos específicos, envie e-mail para jdlucas.contato@gmail.com.

Introdução ao Mito

O ser humano é uma animal que sonha. Somos dotados de uma prodigiosa capacidade de fabulação, e é através dela que melhor expressamos nossas dúvidas, anseios e descobertas. Fabular está no cerne das nossas disposições anímicas. Fabulamos em literatura, em cinema, em teatro, no dia a dia, quando transformamos cenários em mundos, atores em personagens, enredos em destinos. Não à toa, o mito é considerado como sonho coletivo: porque como os sonhos, expõe nossos conflitos, elabora nossa buscas e atualiza nossos encontros; é a grande forma do drama universal.

O mito, no entanto, não se limita a dramatizar um conteúdo sob os termos de qualquer procedimento, mas cria toda uma nova linguagem ao fazê-lo. Para isso, depende do símbolo. Uma articulação de ações e procedimentos simbólicos compõe um mito. Podemos entender o símbolo como um ponto de conexão entre a realidade factível, inteligível, e algo cujo sentido nos escapa, mas que deixa um rastro a ser perseguido.

Podemos dizer que há, como fundamento intrínseco da psique, duas tendências: numa delas, tudo é indizível, no sentido de que em seu fundamento, um fato sempre terá na sua origem gravado um mistério. A segunda tendência é que todas as coisas querem falar. Eis o campo de onde brotam os símbolos. Nesse entre-choque do querer expressar contra a inexpressabilidade, surge o símbolo como mediador, para estabelecer a ponte onde as tensões dessas duas tendências buscarão se equilibrar.

Em um curso sobre Mitologia Afro-Brasileira, recebi um número variado de pessoas das mais distintas ocupações e idades, sem nenhum envolvimento com estudos dessa espécie. Estávamos, no momento, debruçados sobre a figura de Iemanjá, deusa do panteão Yorubá que no Brasil é amplamente cultuada como a Rainha do Mar. O mar é sua morada e é ela mesma. Uma senhora pelos 70 anos apresentava um comportamento incontinente diante das minhas tentativas de expor uma visão a respeito do motivo mitológico do parto da virgem. Para ela, não fazia o mínimo sentido e ela se colocava frontalmente a respeito disso. Pedi-lhe um pouco de paciência e prosseguimos com a aula; pretendia conduzir a aula de modo a alcançá-la em sua perplexidade, que é a mesma de todos cuja natureza excessivamente atada à lógica não conseguem uma abertura imediata para que o paradoxo do mito possa ser experimentado. Ela estava impaciente e tive de prometer-lhe que no fim da aula, depois de exposto todo o conteúdo, voltaríamos ao assunto. Confiei na intuição de que conseguiria pelo menos fornecer alguns dados para que ela construísse sua própria experiência do paradoxo, que o pudesse experimentar segundo suas próprias disposições. Num dado momento mencionei que o nome Iemanjá decompõe-se em três étimos: Ie-mo-já, cuja tradução pode ser: a mãe cujos filhos são peixes. Os primeiros filhos que Iemanjá gera são os Orixás, potências divinas responsáveis pela vida no Ayié (Terra). Num exercício de comparação, que exige aproximação do símbolo com outras ocorrências em contextos diversos, chamei a atenção para o símbolo do peixe: sendo os únicos animais que não precisaram entrar na arca de Noé, representam, de certa forma, uma condição perene do instinto. Os peixes não precisaram do salvamento que Yaveh ordena que Noé realize, porque já são eles mesmos aquilo que habita a fonte primeira da destruição e da recriação, que é o mar, são um símbolo do fluxo imutável da vida. Mencionei de passagem o milagre da multiplicação dos peixes pelo Cristo, como de certa forma esta é uma maneira de simbolizar o seu sacrifício em nome do fundamento primeiro da existência que a tudo anima e que não necessita de transformação, a própria vocação crística da psique para a auto-realização. Num gesto metonímico, Cristo dá a si mesmo quando distribui os peixes. Imediatamente o semblante daquela senhora se iluminou: “Tudo pra mim são os peixes. Pinto peixes, sonho com peixes, vejo peixes em todo lugar, gosto deles de qualquer forma. A noite passada sonhei que tomava nas mãos dois peixes mortos e os depositava no aquário, depois os pintava com um pincel usando as cores primárias e eles voltavam à vida. Uma vez me disseram que eu desenhava e tinha essa obsessão por peixes porque sou uma pessoa infantil. Isso me entristecia muito, porque essa pessoa dizia infantil em um sentido muito ruim, como alguém atrofiado, que não se desenvolveu. Agora você me diz isso. Estou aliviada!

Vibramos todos com o desfecho da história e a aula pôde prosseguir até voltarmos ao tema do parto em virgindade, que ela recebeu com bem menos defesa e impaciência. No fim da aula a aluna veio me cumprimentar pela aquisição dessa nova linguagem.

Veja que problema um símbolo mal interpretado pode causar! O peixe tinha uma importância fundamental para a vida criativa da mulher e, no entanto, disseram a ela que se tratava de uma expressão de infantilismo. Esse é o problema de tentar reduzir um símbolo à uma única possibilidade: corre-se o risco de impedir o desenvolvimento de ideias que de outra maneira poderiam ser muito melhor aproveitadas. O fluxo saudável do inconsciente é aquele que transita em direção à consciência como revelação de si mesmo, e com isso, atingindo a conscientização de si, age plenamente na manutenção do equilíbrio psíquico.

Devemos procurar enxergar o símbolo sempre como uma invenção cuja utilidade total nos é desconhecida. Só assim podemos manter uma relação aberta, que comporte acréscimos e articulações.

O mito, como expressão do inconsciente coletivo, e elaborado em linguagem simbólica, guarda noções que não estão acessíveis por uma via lógica única, exige elaboração, aprofundamentos. Quer expressar os fluxos energéticos da psique, e com isso, percorre instâncias opostas da verdade, e nos apresenta noções que desafiam nosso modo de ver o mundo. É daí que se revela o seu potencial curativo, ordenador, centralizador. O mito se expressa a partir de noções paradoxais (o parto da virgem, o Trickster, a Criação a partir do caos, a Jornada do Herói etc.) porque se refere à alma total, que comporta todos os pares de opostos. Às vezes pares lutam, às vezes pares dançam, e há quem veja na luta uma dança, ou mesmo na dança um símbolo para a luta.

Quando dizemos que um símbolo ou um mito é universal, não queremos dizer que em toda e qualquer cultura ele terá os mesmos significados. Interpretar um símbolo significa dispor de ideias herdadas e de ideias construídas, e sobretudo, levar em consideração o seu contexto histórico e a sua aplicabilidade psíquica, de tal modo que seria impossível fechar uma interpretação como mais correta que outra. Pode parecer óbvio à mente moderna tudo isso, mas lembremos que neste momento há gente morrendo e matando por acreditar que os mitos e símbolos de sua cultura ou religião são mais verdadeiros que os das outras. Não são poucos os perigos da unilateralidade. Há uma tendência a se pensar que numa discussão de fundo simbólico, alguém precisa ter razão, e toda sorte de absurdos já foram e são cometidos em nome dessa vaidade. A razão é só uma parte do entendimento total. Há uma outra, de tamanho e abrangência desconhecida, em relação ao qual o mito e o símbolo devem o seu caráter misterioso e revelador: essa dimensão é o inconsciente coletivo, repositório das nossas disposições anímicas universais, fonte de toda vida psíquica.

Joseph Campbell, em Isto és Tu, no capítulo Metáfora e Mistério Religioso, fala sobre a validade das metáforas religiosas:

A metade das pessoas do mundo pensa que as metáforas de suas tradições religiosas, por exemplo, são fatos. E a outra metade sustenta que não são, de modo algum, fatos. O resultado é que temos pessoas que se consideram crentes porque aceitam metáforas como fatos, e temos outros indivíduos que se classificam como ateus porque acham que as metáforas religiosas são mentiras. […] Há um perigo real quando as instituições sociais inculcam nas pessoas estruturas mitológicas que não combinam mais com sua experiência humana. Por exemplo, quando se insiste em certas interpretações religiosas ou políticas da vida humana, pode ocorrer uma dissociação mítica. Pela dissociação mítica, pessoas rejeitam ou são apartadas de efetivas noções explicativas a respeito da ordem de suas vidas. […] Como, no período contemporâneo, podemos evocar o imaginário que comunique o mais profundo e mais ricamente desenvolvido sentido de experiência de vida? Essas imagens devem apontar além de si mesmas para aquela verdade definitiva que é imperioso exprimir: que a vida não possui nenhum significado absolutamente fixo. Essas imagens têm de apontar para além de todos os significados dados, além de todas as definições e relações, para aquele mistério realmente inefável que é justamente a existência, o ser de nós mesmos e de nosso mundo. Se atribuímos a esse mistério um significado exato, reduzimos a experiência de sua real profundidade. Mas quando um poeta transporta a mente para um contexto de significados e a arremessa adiante deles, conhece-se o maravilhoso arrebatamento que advém de ir além de todas as categorias de definição.

A linguagem simbólica é aquela em que a natureza pode revelar-se sem esgotar-se em significados. Mantém uma abertura para novas possibilidades de sentido e transformação, porque o símbolo, e suas articulações no tecido mitológico, expressa a vida em sua totalidade. Não pode por isso se deixar petrificar, sob perigo que a própria vida com isso também se petrifique.

 Se você deseja entender mais sobre o assunto, pode participar do curso de Introdução ao Mito, em que exploramos os principais temas nas mitologias do mundo. Abaixo, você tem a ementa do curso e os demais dados:

INTRODUÇÃO AO MITO

AULA 1. CARL JUNG MITO & INDIVIDUAÇÃO – 15/06

a. Arquétipo – A Função Elementar
b. Mito – Drama e Sonho
c. Símbolo – A Linguagem da Psique
d. Energia e Compensação

AULA 2. MITO E ALMA – 28/06
a. A função simbólica – De que maneira o mito expressa questões sobre a psique?
b. A função ritualística – Como os povos tradicionais vivenciam seus mitos?

AULA 3. MITOS DA CRIAÇÃO – 12/07
a. Do Caos à Ordem
b. Perda relativa da Ordem – o elemento humano
c. Grega, Egípcia, Africana, Nativo Americana, siberiana, etc.
d. Oriente

AULA 4. AS MÁSCARAS DA DEUSA – 26/07
a. A Anima
b. A Mãe Protetora
c. A Mãe Terrível
d. A Amante

AULA 5. AS MÁSCARAS DE DEUS [Grátis. Assista aqui ]
a. O Animus
b. O Pai Tirano
c. O Pai Protetor
d. O Amante

AULA 6. A CRIANÇA DIVINA – 09/08
a. O Puer
b. A Criança-Deus e a Criança-Herói

AULA 7. O TRICKSTER – 23/08
a. O Roubo do Fogo
b. O Trapaceiro na Mitologia

AULA 8. A JORNADA DO HERÓI (1) [Grátis. Assista aqui]
a. Separação
– Chamado
– Recusa
– Auxílio Sobrenatural
– Limiar de Entrada
– Ventre da Baleia

AULA 9. A JORNADA DO HERÓI (2) (Disponível para acesso imediato)
a. Iniciação
– Caminho de Provas
– Encontro com a Deusa
– Mulher como Tentação
– Sintonia com o Pai
– Apoteose
– A Benção Última

AULA 10. A JORNADA DO HERÓI (3) (Disponível para acesso imediato)
a. Retorno
– Recusa do Retorno
– Fuga Mágica
– Resgate com Auxílio Externo
– Limiar de Saída
– Senhor dos Dois Mundos
– Liberdade para Viver

b. Encerramento
_________________________________________

As aulas serão realizadas via hangouts (plataforma intuitiva do Google). Você receberá também a gravação para assistir sempre que quiser. Para ter acesso ao material, você deve optar por um dos modos de adesão:

Em 4x 100 reais (10 aulas ao todo, sendo 2 grátis).

Em 1x 300 (10 aulas, sendo 4 grátis).

Não é preciso nenhum conhecimento específico para acessar as aulas, basta estar online no momento do encontro (sempre às 21H, horário de Brasília). Quem não puder estar online no dia, de qualquer modo receberá a gravação e pode assistir a qualquer momento. Todas as dúvidas e questões devem ser encaminhadas para o e-mail jdlucas.contato@gmail.com. Serão emitidos certificados.

Os dados bancários para depósito do valor do curso são
Banco do Brasil
Ag. 3652-8
C.C. 61708-3
CPF 135 531 527 10

Basta enviar o comprovante de depósito para jdlucas.contato@gmail.com ou 5521983931078. Se você ainda não conhece o MONOMITO e não se sente segura(o) para realizar o depósito imediatamente, entre em contato pelos mesmos canais, terei o maior prazer em conversar e responder às suas dúvidas.

*

Os  cursos são ministrados por JD Lucas, mitólogo e escritor, coordenador da Mythological RoundTable© Rio de Janeiro, núcleo da Joseph Campbell Foundation no Brasil. Ministra cursos no campo da mitologia e do simbolismo comparado. Criou o primeiro curso de Introdução ao Mito, além de O Caminho do Alquimista (utilizando o tarô de Marselha como tema) e o curso de Mitologia Afro-Brasileira. Atua junto a instituições públicas e privadas na disseminação da mitologia como possibilidade de experiência do conhecimento. Para parcerias, convites, aulas para grupos específicos e dúvidas, envie e-mail para jdlucas.contato@gmail.com ou entre em contato através do 55 21 983931078.

Curso de Mitologia Afro-Brasileira Online

Mitos são fenômenos universais. Toda cultura, todo povo elaborou e elabora seus mitos, que são narrativas dos tempos e seres primordiais que fundamentaram as questões básicas da existência. Nascimento, sexualidade, alimentação, relação com o outro, morte e ressurreição, a mitologia sempre aponta para o modo como nossas questões básicas estão inseridas no contexto geral da Vida.

Psicologicamente, o mito é responsável por expressar as questões do inconsciente coletivo dos povos e de seus indivíduos, fomentando não apenas a identidade de grupo, mas a experiência da transcendência em cada um que dele se aproxima.

Você está convidada (o) a participar da nova turma do Curso de Mitologia Afro-Brasileira online, que se iniciará no próximo mês de maio. Partindo do estudo dos mitos de cada Orixá procuraremos apreender aspectos fundamentais a respeito do fenômeno mitológico africano e suas transformações em território brasileiro. Nossa experiência se dará à partir do campo simbólico, levando em conta os contextos culturais onde os mitos foram gerados, mas apontando para além deles. Com isso, pretendemos lançar uma ponte entre o saber ancestral e as questões que nos mobilizam hoje. Abaixo, você tem a relação dos orixás abordados em cada aula.

1. EXU – O GUARDIÃO BATE À PORTA [Disponível para download]

Demonizado pelos primeiros colonizadores europeus, tanto na África quanto no Brasil, Exu é um desafio à compreensão lógica. A figura do trapaceiro é um tema universal nas mitologias e está sempre associada aos trânsitos, comunicações, conexões, ao que não se pode capturar. Tudo o que se movimenta é mobilizado por Exu. No tecido mitológico Iorubá, é divindade de primeira importância, sem o qual o trânsito entre o Orum (O Mundo Espiritual) e o Aiyê (O Mundo Físico) não pode ocorrer.

2. OXUM – O FEMININO ATEMPORAL [Disponível para download]

Deusa das águas doces, em momentos de grande perigo é a responsável por restabelecer o equilíbrio, e o faz através das suas qualidades mais importantes: a sedução, a dança, a abnegação, a renúncia. Mesmo a mais vaidosa das Orixás, em momentos de crise, quando a existência periga ser destruída, como demonstração de profundo afeto pelos deuses e pelos homens, é capaz de doar-se, e com isso, renovar o mundo.

3. OMULU – O CURADOR FERIDO [Disponível para download]

Silêncio, o grande rio está chegando. Omulu é o filho renegado de Nanã e adotado por Iemanjá, portador da saúde e da doença. Figura emblemática da mitologia africana e do imaginário brasileiro. Seu culto se estende de leste a oeste em África, e em toda parte é reverenciado como uma potência sem par. Se levado em consideração, respeitado, Obaluayê é o senhor da Terra, pai protetor que concede saúde. Mas quando desrespeitado, é Sapatá, dono da peste, capaz de arrasar populações inteiras.

4. OGUM – O SENHOR DO FOGO AZUL [Disponível para download]

Violento e implacável, Ogum é o orixá do ferro, da tecnologia; o primeiro orixá a pôr os pés na Terra, veio abrir caminho para os outros. O pioneirismo, a beligerância, a coragem são características de Ogum, pai do metal e de toda a humanidade. Está relacionado com aquela primeira explosão que um dia trouxe do Nada a Existência.

5. IYÁ MI – AS TERRÍVEIS MÃES DO PÁSSARO [Disponível para download]

São o feminino ancestral, muitas vezes sombrio, irascível. A energia dos mortos femininos é aglutinada de forma coletiva e representada por Iya Mi Oxorongá, chamada também de Iyá NIa, a grande mãe. As Iyá Mi são cultuadas pelas Sociedades  Geledé, compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas detêm e manipulam este perigoso poder. Nos festivais anuais em sua homenagem, na Nigéria, onde se louva o poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira das terríveis mães do pássaro.

6. IEMANJÁ – A MÃE DO MAR [18/07]

Os rios que correm para o Mar, a vida que vai em direção à sua fonte primeira. A imensidão, o mistério da feminilidade que a tudo contém, e que em tudo está contida. Neste encontro, buscaremos compreender a relação que as almas estabelecem com o oceano, portador de mistérios e ele próprio origem da Vida. Quem é esta deusa que na África é senhora de um rio (o rio Odoyá) e aqui no Brasil toma posse do grande oceano, a calunga dos negros escravizados?

7. OSSAIM – O MISTÉRIO DAS FOLHAS [08/08]

Sem folha não há Orixá. Sem Orixá não há vida. Ossaim é o misterioso portador do axé, o poder vital que a tudo anima. É através do conhecimento das folhas, e de seu valor medicinal, que todos os orixás e seres humanos estabelecem comunicação com o poder primeiro que gerou a vida.

8. OXÓSSI – O CAÇADOR E A FLORESTA [22/08]

Quando a cidade de Ketu foi destruída no século XVIII, os seus habitantes, em grande parte devotos de Oxóssi, foram enviados forçadamente como escravos. Isso fez com que o culto ao Orixá em África, praticamente se extinguisse. No Brasil, no entanto, o culto tem força, e Oxóssi conta com um séquito significativo de filhos (devotos).

Oxóssi é o herói cultural que estabelece na caça e na coleta do alimento as primeiras ações do homem civilizado. A Floresta, seu território de atuação, é ambígua: por um lado, guarda inúmeros perigos. Por outro, fornece tudo quanto se necessite para a manutenção da vida.

9. IANSÃ – OS 9 DEGRAUS DO CÍRCULO [05/09]

O que a matemática pitagórica tem a ver com um orixá que rege a ventania, o relâmpago, os trânsitos? Nesta aula percorreremos o caminho de Iansã, mãe de 9 filhos, a Oyá dos Ventos, numa vertiginosa aproximação com aquilo que Pitágoras, o grego, entendeu como a potência absoluta dos números.

10. IRÔKO – A ÁRVORE E O CENTRO DO MUNDO [19/09]

Certa vez, Oxalá caminhava por uma região desértica e não encontrava sombra em que se guardar. Oxalá, por ser da natureza do branco, não suporta muita luz e calor. A muito custo, conseguiu seguir adiante, até que quando já estava exaurido, encontrou uma árvore Irôko, e pôde se abrigar em sua sombra. A árvore concedeu a Oxalá, além da sombra, um galho de seus ramos, o que Ele poderia usar como cajado quando fosse seguir viagem outra vez. Em agradecimento, Oxalá tornou Irôko orixá, e a árvore hoje é cultuada como local onde os poderes do grande criador se manifestam no mundo, e onde se entrega intenções e sacrifícios para a saúde dos filhos e prosperidade.

11. OXUMARÊ – 7 CORES DO BRANCO [03/10]

Oxumarê representa todos os fluxos cíclicos da natureza. Movimento e troca. Seja os movimentos de translação e rotação que o planeta realiza em torno do Sol, seja o aquecimento, vaporização, condensação e precipitação da chuva que irrigará os campos. É possível contemplar sua face quando a luz passa pelas gotas de chuva e se decompõe nas 7 cores do arco-íris. 

12. ORI – CONSCIÊNCIA E REVOLUÇÃO [17/10]

Embora dotados de características comuns, todos os indivíduos, em si, são únicos. Quando nasce, segundo a tradição Iorubá, a criança recebe, na primeira inspiração (Emí), o seu Ori, algo como uma identidade espiritual que a protegerá e guiará pelos rumos da vida. Ori é consciência de um caminho irrepetível, da vida como manifestação incontornável de si mesma. Ori é a cabeça de onde partem todas as grandes revoluções.

Nossos encontros serão realizados sempre às terças feiras, às 21H (horário de Brasília), ao vivo para todo o planeta. Para isso, utilizaremos o Hangouts (plataforma intuitiva do Google). As reuniões têm duração de 1h30min. A gravação da aula seguirá para os eu e-mail logo após a aula. Você poderá acessá-la o quanto quiser, o link não expira. São doze encontros nos quais discutiremos a presença dos orixás e o seu valor simbólico no imaginário afro-brasileiro.

O valor do curso baixou!

Valor de investimento: R$ 100/mês (acesso a duas aulas por mês)

Valor de investimento à vista: R$ 450 (ou seja, com desconto de R$ 150 do valor total)

Duração do curso: 06 meses

Duração: aprox. 1h30min/aula

2 aulas por mês (quinzenal)

Para efetivar suas participação, você precisa optar por uma das formas de ingresso listadas acima, e realizar o depósito da primeira mensalidade na seguinte conta:

Banco do Brasil

AG 3652-8

CC 61708-3

CPF 13553152710

Em seguida, basta me avisar ou enviar uma foto do comprovante por e-mail ou whatsapp. Se não puder estar ao vivo no dia da aula, não tem problema, a gravação do encontro seguirá para o seu e-mail. Você também receberá uma apostila com o conteúdo apresentado no curso.

É difícil imaginar de que modo o espírito humano poderia funcionar sem a convicção de que existe no mundo alguma coisa de irredutivelmente ‘real’; e é impossível imaginar como a consciência poderia aparecer sem conferir ‘significado’ aos impulsos e às experiências do homem. A consciência de um mundo real e significativo está intimamente ligada à descoberta do sagrado. Por meio da experiência do sagrado, o espírito humano captou a diferença entre o que se revela como real, poderoso, rico e significativo e o que é desprovido dessas qualidades, isto é, o fluxo caótico é perigoso das coisas, seus aparecimentos e desaparecimentos fortuitos e vazios de sentido.”

Mircea Eliade, no prefácio de História das Crenças e das Ideias Religiosas, Vol. I, ed. Zahar

*

JD Lucas é mitólogo e escritor. Coordenador da Mythological RoundTable© Rio de Janeiro, núcleo da Joseph Campbell Foundation no Brasil. Ministra cursos no campo da mitologia e do simbolismo comparado. Criou o primeiro curso de Introdução ao Mito, além de O Caminho do Alquimista (utilizando o Tarô de Marselha como tema) e do curso de Mitologia Afro-Brasileira. Atua junto a instituições públicas e privadas na disseminação da mitologia como possibilidade de experiência do conhecimento. Para parcerias e dúvidas, ou se deseja um curso presencial para grupos específicos, envie e-mail para jdlucas.contato@gmail.com.