A Matemática das Sincronicidades

A physis, a Natureza enquanto objeto em transformação, não determina a ocorrência de um evento, mas condiciona a sua verificação segundo dados de onda matematicamente verificáveis (o que os cientistas chamam de ondas probabilísticas). Explico: se há uma tendência para que algo ocorra, ela pode, com mais chances, se impor à não-tendência. Essa é a resposta da matemática para a questão: Por que é que chegamos a ser alguma coisa ao invés de sermos nada. A realidade potencial se impôs à inexistência por um dado intrínseco, irrevogável, que precisava existir, e então passou à existência.

Com as sincronicidades, dá-se o mesmo fenômeno. A irrupção de uma realidade potencial existindo entre o mundo físico e a abstração que de repente se faz. Exemplo básico: duas pessoas possuem em potência (como possibilidade forte) a tendência ao encontro. Qualquer encontro, desde casais a pessoas que vão realizar um ato importante. Algo nos seus arranjos moleculares necessita interagir eletronicamente. Então, a natureza física pode vir a produzir o ambiente desse encontro segundo arranjos situacionais que combinarão eventos inesperados, decisões diretas e acidentais, até que o evento ocorra. Naturalmente, não podemos afirmar com certeza se há uma inteligência específica condicionando o evento. Mas podemos inferir, com alguma desenvoltura, que o que quer que ocorra, uma vez que ocorra, se torna imprescindível para o tecido da existência, se firma como realidade e descarta outras possibilidades. Algo ocorre, porque tem que ocorrer.

Certo, se é assim, estamos em apuros determinísticos? Sem querer problematizar demais o livre arbítrio agora, assumindo que à consciência é facultado algum poder de ineditismo sobre infinitas possibilidades, ou seja, de tornar-se algo ao invés de nada, quero chamar a atenção para o mesmo princípio atuando na produção de sincronicidades. Sincronicidades são coincidências entre eventos físicos e estados de psíquicos.

A mola psíquica de uma sincronicidade é uma emoção que precisa se materializar. A exemplo de um transbordamento. Quando o psiquismo está de tal modo prenhe de questões, envolvido por arranjos situacionais que necessitam de resolução, então há mais chances de que sincronicidades ocorram. Veja o exemplo:

Quanto mais envolvido emocionalmente pela possibilidade do encontro (consciente ou inconsciente) há uma tendência de se tomar decisões que concorram para a sua realização (mais uma vez, consciente ou não de que se esteja buscando isso). É o estado do ritual, do transe, das  intensificações gerais do corpo (de adrenalina, serotonina, dopamina etc), e também do furor político. Nesses momentos, é como se a consciência baixasse ao inconsciente coletivo à partir do inconsciente pessoal, e lá tivesse contato com dados que não respeitam causa e efeito. E enquanto a consciência faz isso, a matéria também se move para alojar tamanha força, fazendo coincidir um evento com aquele estado de alma. Não existe desperdício de energia no universo. Todo esforço psíquico encontra correspondência em uma situação análoga no plano físico. Pode ser um aparentemente simples: “Estive pensando em você a semana toda!” ou um grande arranjo de situações que leva a um fim absolutamente inesperado e que nos faz olhar para a vida com os olhos arregalados pelo Mistério se fazer tão claro e energizado, inesgotável.

Mortes, nascimentos, união de pares amorosos, brigas, todos esses e ainda muitos outros momentos essenciais da vida são cercados de sincronicidades. Do ponto de vista da instrumentação, desde sempre a humanidade conhece e busca modos de operar transformações no real. Números Grabovoi, Lei da Atração, apostas em jogos, golpes de sorte, palavras de poder, todo tipo de atuação que se pretenda mágica. O princípio atuando é o mesmo: a volição psíquica buscando operar o real e, também, embora quase nunca consciente disso, sendo operado por ele.

Certa vez, alguém me preguntou se era possível produzir sincronicidades. Não tive resposta imediata sobre isso, e não ter respondido na hora me deu uma lição preciosa, tempos depois, quando voltava ao tema: admitir a ignorância nos põe no caminho da sabedoria. Sei que Sócrates disse algo assim há mais de 2400 anos, mas não estou falando de retórica aqui, mas de conhecimento verdadeiro experimentado e traduzido em verdade. A resposta veio suavemente: sempre fazemos isso quando, por exemplo, consultamos oráculos. Um oráculo é um alfabeto simbólico de que dispomos para construir interpretações a respeito da vida. O que é que condiciona que, digamos, as cartas do tarô demonstrem de modo simbólico o arranjo de elementos estruturais presentes numa situação? Como disse logo acima, uma disposição psíquica emocionalmente carregada. O oráculo funciona como o receptáculo físico para essa emoção criar. Desse modo é perfeitamente possível produzir sincronicidades. Respeitados certos princípios e munido de algum conhecimento sobre os elementos oraculares, a consciência consegue baixar ao nível acausal e extrair de lá as respostas que precisa, mas sobretudo, aprende a formular melhor suas próprias questões.

Há alguns anos tenho desenvolvido um método próprio de deitar e interpretar as cartas do tarô, levando em consideração a relação sugestiva que elas têm entre si. Essa leitura foi explorada inicialmente no curso Jornada para a Alma, em seguida se aprimorou n’O Caminho do Alquimista e agora, depois de incontáveis testes, erros e acertos, através do Método da Análise Sincrônica, formado por duas modalidades de jogo, uma em cruz, outra em linha reta. A primeira lê a situação do ponto de vista do consulente: em que estado chega à mesa para a leitura e qual caminho precisa percorrer para atingir determinado ponto. A segunda modalidade lê a situação do ponto de vista de suas oposições, se a passagem para o outro lado da experiência que que sequer viver tem obstáculos e facilitadores e quais são eles.

Você pode aprender por conta própria as duas tiragens do Método da Análise Sincrônica ingressando no curso Caminho do Alquimista

É bom que se saiba: o contato com o inconsciente, seja através do tarô ou de qualquer outro meio, é revelador e positivamente desconcertante; nos imputa a responsabilidade do bom senso.

Todo oráculo é um objeto que propicia intensas projeções, e devolve sempre tudo aquilo que nele depositamos, bastando para isso o exercício da reflexão e da humildade.

Voltaremos ao assunto no futuro.

 Fraternalmente,

JD Lucas

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