Exu – O Guardião Bate à Porta

APRESENTAÇÃO DO CURSO

Mitos são fenômenos universais. Toda cultura, todo povo elaborou e elabora seus mitos, que são narrativas dos tempos e seres primordiais que fundamentaram as questões básicas da existência. Nascimento, sexualidade, alimentação, relação com o outro, morte e ressurreição, a mitologia sempre aponta para o modo como nossas questões básicas estão inseridas no contexto geral da Vida.

Psicologicamente, o mito é responsável por expressar as questões do inconsciente coletivo dos povos e de seus indivíduos, fomentando não apenas a identidade de grupo, mas a experiência da transcendência em cada um que dele se aproxima.

Você está convidada (o) a participar da nova turma do Curso de Mitologia Afro-Brasileira online, que se iniciará no próximo mês de maio. Partindo do estudo dos mitos de cada Orixá procuraremos apreender aspectos fundamentais a respeito do fenômeno mitológico africano e suas transformações em território brasileiro. Nossa experiência se dará à partir do campo simbólico, levando em conta os contextos culturais onde os mitos foram gerados, mas apontando para além deles. Com isso, pretendemos lançar uma ponte entre o saber ancestral e as questões que nos mobilizam hoje. Abaixo, você tem a relação dos orixás abordados em cada aula.

1. EXU – O GUARDIÃO BATE À PORTA [Disponível]

Demonizado pelos primeiros colonizadores europeus, tanto na África quanto no Brasil, Exu é um desafio à compreensão lógica. A figura do trapaceiro é um tema universal nas mitologias e está sempre associada aos trânsitos, comunicações, conexões, ao que não se pode capturar. Tudo o que se movimenta é mobilizado por Exu. No tecido mitológico Iorubá, é divindade de primeira importância, sem o qual o trânsito entre o Orum (O Mundo Espiritual) e o Aiyê (O Mundo Físico) não pode ocorrer.

2. OXUM – O FEMININO ATEMPORAL [Disponível]

Deusa das águas doces, em momentos de grande perigo é a responsável por restabelecer o equilíbrio, e o faz através das suas qualidades mais importantes: a sedução, a dança, a abnegação, a renúncia. Mesmo a mais vaidosa das Orixás, em momentos de crise, quando a existência periga ser destruída, como demonstração de profundo afeto pelos deuses e pelos homens, é capaz de doar-se, e com isso, renovar o mundo.

3. OMULU – O CURADOR FERIDO [Disponível]

Silêncio, o grande rio está chegando. Omulu é o filho renegado de Nanã e adotado por Iemanjá, portador da saúde e da doença. Figura emblemática da mitologia africana e do imaginário brasileiro. Seu culto se estende de leste a oeste em África, e em toda parte é reverenciado como uma potência sem par. Se levado em consideração, respeitado, Obaluayê é o senhor da Terra, pai protetor que concede saúde. Mas quando desrespeitado, é Sapatá, dono da peste, capaz de arrasar populações inteiras.

4. OGUM – O SENHOR DO FOGO AZUL [20/06]

Violento e implacável, Ogum é o orixá do ferro, da tecnologia; o primeiro orixá a pôr os pés na Terra, veio abrir caminho para os outros. O pioneirismo, a beligerância, a coragem são características de Ogum, pai do metal e de toda a humanidade. Está relacionado com aquela primeira explosão que um dia trouxe do Nada a Existência.

5. IYÁ MI – AS TERRÍVEIS MÃES DO PÁSSARO [04/07]

São o feminino ancestral, muitas vezes sombrio, irascível. A energia dos mortos femininos é aglutinada de forma coletiva e representada por Iya Mi Oxorongá, chamada também de Iyá NIa, a grande mãe. As Iyá Mi são cultuadas pelas Sociedades  Geledé, compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas detêm e manipulam este perigoso poder. Nos festivais anuais em sua homenagem, na Nigéria, onde se louva o poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira das terríveis mães do pássaro.

6. IEMANJÁ – A MÃE DO MAR [18/07]

Os rios que correm para o Mar, a vida que vai em direção à sua fonte primeira. A imensidão, o mistério da feminilidade que a tudo contém, e que em tudo está contida. Neste encontro, buscaremos compreender a relação que as almas estabelecem com o oceano, portador de mistérios e ele próprio origem da Vida. Quem é esta deusa que na África é senhora de um rio (o rio Odoyá) e aqui no Brasil toma posse do grande oceano, a calunga dos negros escravizados?

7. OSSAIM – O MISTÉRIO DAS FOLHAS [08/08]

Sem folha não há Orixá. Sem Orixá não há vida. Ossaim é o misterioso portador do axé, o poder vital que a tudo anima. É através do conhecimento das folhas, e de seu valor medicinal, que todos os orixás e seres humanos estabelecem comunicação com o poder primeiro que gerou a vida.

8. OXÓSSI – O CAÇADOR E A FLORESTA [22/08]

Quando a cidade de Ketu foi destruída no século XVIII, os seus habitantes, em grande parte devotos de Oxóssi, foram enviados forçadamente como escravos. Isso fez com que o culto ao Orixá em África, praticamente se extinguisse. No Brasil, no entanto, o culto tem força, e Oxóssi conta com um séquito significativo de filhos (devotos).

Oxóssi é o herói cultural que estabelece na caça e na coleta do alimento as primeiras ações do homem civilizado. A Floresta, seu território de atuação, é ambígua: por um lado, guarda inúmeros perigos. Por outro, fornece tudo quanto se necessite para a manutenção da vida.

9. IANSÃ – OS 9 DEGRAUS DO CÍRCULO [05/09]

O que a matemática pitagórica tem a ver com um orixá que rege a ventania, o relâmpago, os trânsitos? Nesta aula percorreremos o caminho de Iansã, mãe de 9 filhos, a Oyá dos Ventos, numa vertiginosa aproximação com aquilo que Pitágoras, o grego, entendeu como a potência absoluta dos números.

10. IRÔKO – A ÁRVORE E O CENTRO DO MUNDO [19/09]

Certa vez, Oxalá caminhava por uma região desértica e não encontrava sombra em que se guardar. Oxalá, por ser da natureza do branco, não suporta muita luz e calor. A muito custo, conseguiu seguir adiante, até que quando já estava exaurido, encontrou uma árvore Irôko, e pôde se abrigar em sua sombra. A árvore concedeu a Oxalá, além da sombra, um galho de seus ramos, o que Ele poderia usar como cajado quando fosse seguir viagem outra vez. Em agradecimento, Oxalá tornou Irôko orixá, e a árvore hoje é cultuada como local onde os poderes do grande criador se manifestam no mundo, e onde se entrega intenções e sacrifícios para a saúde dos filhos e prosperidade.

11. OXUMARÊ – 7 CORES DO BRANCO [03/10]

Oxumarê representa todos os fluxos cíclicos da natureza. Movimento e troca. Seja os movimentos de translação e rotação que o planeta realiza em torno do Sol, seja o aquecimento, vaporização, condensação e precipitação da chuva que irrigará os campos. É possível contemplar sua face quando a luz passa pelas gotas de chuva e se decompõe nas 7 cores do arco-íris. 

12. ORI – CONSCIÊNCIA E REVOLUÇÃO [17/10]

Embora dotados de características comuns, todos os indivíduos, em si, são únicos. Quando nasce, segundo a tradição Iorubá, a criança recebe, na primeira inspiração (Emí), o seu Ori, algo como uma identidade espiritual que a protegerá e guiará pelos rumos da vida. Ori é consciência de um caminho irrepetível, da vida como manifestação incontornável de si mesma. Ori é a cabeça de onde partem todas as grandes revoluções.

Nossos encontros serão realizados sempre às terças feiras, às 21H (horário de Brasília), ao vivo para todo o planeta. Para isso, utilizaremos o Hangouts (plataforma intuitiva do Google). As reuniões têm duração de 1h30min. A gravação da aula seguirá para os eu e-mail logo após a aula. Você poderá acessá-la o quanto quiser, o link não expira. São doze encontros nos quais discutiremos a presença dos orixás e o seu valor simbólico no imaginário afro-brasileiro.

O valor do curso baixou!

Valor de investimento: R$ 100/mês

Valor de investimento à vista: R$ 450 (ou seja, com desconto de R$ 150 do valor total)

Duração do curso: 06 meses

Duração: aprox. 1h30min/aula

2 aulas por mês (quinzenal)

Para efetivar suas participação, você precisa realizar o depósito da primeira mensalidade na seguinte conta:

Banco do Brasil

AG 3652-8

CC 61708-3

CPF 13553152710

Em seguida, basta me avisar ou enviar uma foto do comprovante. Se não puder estar ao vivo no dia da aula, não tem problema, a gravação do encontro seguirá para o seu e-mail. Você também receberá uma apostila com o conteúdo apresentado no curso.

É difícil imaginar de que modo o espírito humano poderia funcionar sem a convicção de que existe no mundo alguma coisa de irredutivelmente ‘real’; e é impossível imaginar como a consciência poderia aparecer sem conferir ‘significado’ aos impulsos e às experiências do homem. A consciência de um mundo real e significativo está intimamente ligada à descoberta do sagrado. Por meio da experiência do sagrado, o espírito humano captou a diferença entre o que se revela como real, poderoso, rico e significativo e o que é desprovido dessas qualidades, isto é, o fluxo caótico é perigoso das coisas, seus aparecimentos e desaparecimentos fortuitos e vazios de sentido.”

Mircea Eliade, no prefácio de História das Crenças e das Ideias Religiosas, Vol. I, ed. Zahar

*

JD Lucas é mitólogo e escritor. Coordenador da Mythological RoundTable© Rio de Janeiro, núcleo da Joseph Campbell Foundation no Brasil. Ministra cursos no campo da mitologia e do simbolismo comparado. Criou o primeiro curso de Introdução ao Mito, além de O Caminho do Alquimista (utilizando o Tarô de Marselha como tema) e do curso de Mitologia Afro-Brasileira. Atua junto a instituições públicas e privadas na disseminação da mitologia como possibilidade de experiência do conhecimento. Para parcerias e dúvidas, ou se deseja um curso presencial para grupos específicos, envie e-mail para jdlucas.contato@gmail.com.

3 comentários sobre “Exu – O Guardião Bate à Porta

  1. Maravilhoso!
    Estava muito interessada em buscar maior conhecimento sobre a cultura ancestrais de nosso povo africano e.
    Parabéns pelo estudo e por compartilhar com s pessoas que estão na busca de suas raízes e por identidade.

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