A Casa de Meu Pai

As religiões de matriz africana que chegaram ao Brasil com os negros escravizados, continuam, mesmo hoje, sofrendo o mais agudo preconceito. Especialmente a expansão do fenômeno evangélico – a disseminação caluniosa e equivocada dos preceitos naturais contra o Candomblé e demais designações yorubás – lança mão indiscriminadamente da injúria, fomentando assim a mentira e a ilusão, comumente no intento do lucro, da compensação de sua impotência espiritual através do dinheiro e do poder sobre o outro.

A crença, no entanto, é muito maior, e o fiel vive aquilo em sua própria carne. O mito está vivo, dança conosco, se apossa de nós, e permite que nós desfrutemos de sua presença grandiosa e beligerante: o mito africano nos fornece as armas!

Ogum vai à frente, com seus ferro, batendo o mato. Antes disso tinha ido Exu, buscar a notícia. Oxossi na beira da mata, com seu arco e flecha, na prontidão. Nanã, faz brotar a vida do pântano. Yemanjá despeja ondas e ondas nos seus inimigos, provê o sal que Obaluayê usa pra  limpar as feridas do caminho, com as folhas que Ossaim fornece. Obá guerreira protege a retaguarda do punhal envenenado do inimigo.

Ouça o canto maravilhoso de Altay, que vem falar da força dos orixás, da marca do sagrado que imprime com tanta beleza e respeito o verdadeiro povo – terreno e espiritual – de umbandas e candomblés.

Dá licença, meu sinhô.

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Grande abraço!

“Ah, meu Deus! Assisto com muita tristeza a pena da aspereza dilacerando a beleza de uma linda sinfonia. A aguarrás de juizes, ciumentos inflexíveis, descolorindo as matizes de uma linda pintura, só porque não gostam da assinatura?”

“E vai com uma bailarina, com a inocência de menina, dançando em volta do sol, a Grande Mãe Terra. Enquanto muitas nações, governos, religiões ensaiam a dança da guerra.”

“Na verdade a bola azul quase nunca foi amada; é sempre penalizada. Tem um trabalho enorme, dedicação e talento para preparar a mistura, juntar os seus elementos para dar forma às criaturas, e elas, depois de paridas, desconhecem a matriarca e dizem, mal agradecidas: que a carne é fraca.”

“E quando o planeta gera um Avatá, um iluminado assim como o Nazareno, tem logo quem se apresenta com conhecimento profundo e diz logo: não é desse mundo, só pode ser extraterreno.”

“Ah, é difícil entender porque é que o homem, até hoje, cospe no prato que come. Algumas religiões, não sei por qual motivo, dizem que a Terra é um território com vocação pra purgatório, não passa de sanatório… E que nós só seremos felizes longe dela, bem distante, lá onde os delirantes chamam de paraíso.”

“Olha, eu vou dizer de coração. Na minha simples, dia após dia, me perdoem a liberdade, mas religião de verdade, mais parecida com a que Jesus queria, talvez seja sentimento de ecologia. Para esse sentimento não tem fronteiras e só reza um mandamento: preservação das espécies com urgência, sem adiamento.”

“Hoje, ela pensa nas plantas, nos rios, no mar, nos bichos. Amanhã, com certeza, com a mesma dedicação e capricho, pensará com muito cuidado nos meninos abandonados.”

“Ah, se ela tivesse mais força para sustentar sua zanga, evitaria, com certeza a fome cruel de Ruanda. Não tinha maturidade, ainda era uma menina, quando a impertinência sangrou, com a bola de fogo, a pobre Hiroshima. Mas ela cresce, se instala como uma prece no coração das crianças. Tenho muitas esperanças…”

“Eu tenho toda a certeza que nosso planeta um dia, mesmo cansado, exausto, terá toda a garantia e guardado por uma geração vigia, nunca mais verá a espada fria no Holocausto.”

“A intolerância, repito, é a mais triste das doenças. Não tem dó, não tem clemência. Deixa tantas cicatrizes nas pessoas, nos países, até as religiões, guardiãs da Luz Celeste, abandonam seus archotes para empunhar cassetete. E o que, na verdade, refresca o rosto de Deus, é um leque, que tem uma haste de Calvino e outra de Alan Kardec.”
“Na outra haste, as brisas, que vêm das terras de Shivas, são uma, dos franciscanos, e outra, dos beduínos. Não precisa ir muito longe… Jesus nasce entre os rabinos.”

“Às vezes corações que crêem em Deus, são mais duros que os ateus. E jogam pedra sobre as catedrais dos meus deuses Yorubás.  Não sabem que a nossa terra é uma casa na aldeia, religiões na Terra são archotes que clareiam.”

Altay Veloso

Um comentário sobre “A Casa de Meu Pai

  1. Republicou isso em Monomitoe comentado:

    Relembrando o curso gratuito que ocorrerá na próxima semana no SESC Ramos-RJ sobre MItologia AfroBrasileira, convido todos os que puderem a se inscreverem. O evento integra a rede de encontros a nivel global das RoundTables Mitológicas da Joseph Campbell Foundation, que tem por objetivo fomentar o diálogo entre os indivíduos e promover o conhecimento através da Mitologia.
    Neste musical memorável, o Alabê de Jerusalém nos conta a história do espírito humano desde os tempos de Cristo. Imperdível!

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