Reencarnação ou não?

Tenho grande dificuldade em minimamente aceitar como possíveis certas propostas interpretativas de cartas “psicografadas”. Por exemplo, já li que o menino João Hélio, brutalmente arrastado por ladrões de carro, teria sido em outra encarnação, um general que gostava de arrastar seus inimigos com a biga pelas estradas de terra romanas. Hoje me chegou a explicação de que os jovens que morreram carbonizados na boate Kiss, no Rio Grande do Sul, foram na verdade encarnações de comandantes nazistas que ordenavam execuções em câmaras de gás.
Tudo isso parece muito fácil, e resolve um conflito fundamental da alma humana: o fato de que somos finitos e que a tragédia pode sobrevir sem fazer rodeios, apagando duramente aquilo que experimentamos como vida. Considero a doutrina da reencarnação nesse sentido bastante indicativa de uma fraqueza psíquica, compreensível aliás, para lidar com o inesperado.
Do ponto de vista da fé, realmente não acredito em qualquer coisa nesse sentido. O mais próximo de reencarnação que minha cabeça consegue alcançar é da sobrevivência e modificação lenta de padrões de experiência, que redundam em arquétipos. Esses vão fundamentar novamente o tempo, num exercício reiterado de absorção energética de si mesmos. Mas não acredito em sobrevivência da consciência, tal como a conhecemos, este eu que se reconhece como tal e reconhece também os seus limites.
Em matéria de fé, penso que existem pelo menos dois tipos de sujeito: os que acreditam e os que sabem. Os primeiros têm evidências não formais para o eventos formais. Os últimos precisam de evidências formais para elaboração de um desdobramento extraordinário. Estou entre os últimos: experimento diversas modalidades formais de conhecimento para o extraordinário, que, se não o reduzem, pelo menos oferecem uma proposta de construção à partir deles. Mas a doutrina da reencarnação pra mim parece fácil demais para uma explicação da vida, que por si só é bastante complexa.

E você, como interpreta o tema? Utilize o espaço de comentários abaixo e deixe sua reflexão.

Um abraço, JD Lucas

A Alma e o Dragão

Na busca por um significado para a vida, o próprio espaço interior assume a dimensão do Universo. A essa dimensão profunda da experiência de existir damos o nome de alma. Guardiã da tarefa de aprimorar-se, vir a ser, a alma tem em si já tudo aquilo que procura. É mesmo um grande paradoxo, que os antigos alquimistas conheciam e chamavam de Mercurius; mas, como pode algo que contém em si tudo quanto exista estar à procura do que lhe falta?
Vou lhe contar um pequeno segredo que, mesmo revelado aqui, não perderá a sua força, posto que só os firmes de espírito o entenderão verdadeiramente: como a semente que contém em si já todo o futuro da árvore, e um passado que remonta ao surgimento da vegetação, assim é Mercurius, assim é a alma: carrega toda a herança anímica do destino vital, a seiva do inconsciente coletivo corre em suas veias, ao mesmo tempo que guarda a possibilidade futura de desenvolvimento. O trabalho correto é regar à chuva e fornecer luz a essa alma, algo que exige dedicação e engajamento, para fazer frente à displicência e ignorância: teus olhos estão vendados e, cego, tu adentras agora a cripta misteriosa de todos os mistérios, onde arde em enxofre o hálito de um dragão adormecido há mil anos. Este dragão deve ser atiçado e em seguida, morto a pauladas. Tu serás verdadeiramente tu diante do inefável quando, tendo matado o dragão, reconheceres teu próprio espírito morto ali.
Então a dimensão inteiramente nova da alma se abrirá diante dos teus olhos, de repente desvendados, e como Paulo, tu exclamarás: eu era cego, agora vejo!
Porém, se te parecem demasiado enigmáticas estas palavras, deita e sonha comigo esta noite. Eu poderei assumir qualquer forma no teu sonho, porque serei teu guia e serei como o cenário da tua alma. Teus olhos cobertos te farão tropeçar e duvidar do que seja possível. O dragão estará te esperando para vomitar sobre ti o enxofre, mas eu te indicarei o caminho da cripta.

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A simbólica alquímica retratada no texto acima diz respeito à primeira fase da obra, que os alquimistas chamaram Nigredo: a matéria morre para dar vida ao novo. Se você quiser conhecer mais sobre alquimia lida simbolicamente, pode se juntar a nós no curso Jung e o Tarot: O Caminho do Alquimista. Nele, utilizamos as lâminas do tarot como vaso simbólico de projeção do conteúdo anímico, provocando o psiquismo a reinventar sua relação consigo mesmo e com o mundo.

Os detalhes da abordagem estão aqui

VEJA

 

Xamanismo Tupi-Guarani

Um dia – crê o povo Tupi-Guarani – Tupã, o Grande Espírito, despertará no coração dos seres humanos, e através de indivíduos alinhados com a verdadeira vontade da vida, conduzirá a humanidade por um caminho de generosidade e força, suavidade e aceitação. O mundo não será perfeito, posto que as coisas estão sempre se transformando, e a imperfeição é a sua linguagem. Mas por esse caminho, seremos conduzidos e conduziremos a existência a um lugar-de-ser onde natureza e cultura, tradição e modernidade, conviverão mais positivamente, e se buscará que todo progresso seja o mais proveitoso para a cadeia de seres vivos, nossos irmãos, que compõem o planeta.
Ainda choraremos nossos mortos, mas com menos senso de injustiça, porque compreenderemos que a morte é um intervalo na História do Grande Espírito. Ainda sofreremos a dor, mas ela será capaz de nos ensinar mais sobre quem somos. Ainda teremos grandes problemas, mas nossa forma de encará-los realmente será diversa, ampliada, mais profunda do que é hoje. E emergiremos, buscaremos emergir desses problemas com um senso novo de realidade.
O tempo de Tupã é este. Nosso papel, como portadores da fagulha vital, é abrir a porta para receber o Grande Espírito. Sejamos nós os primeiros a contar a boa nova: que o tempo de despertar para a Vida chegou, e seguiremos nele daqui para frente.
Sinta as batidas do seu coração, e diga se não é o próprio Grande Espírito falandoTu Pã, Tu Pã, Tu Pã…

Xamanismo Tupi-Guarani

Nos próximos dias 18 e 25 de Agosto nos encontraremos para uma introdução ao Xamanismo Tupi-Guarani, num percurso de reconhecimento dos saberes ancestrais indígenas à partir dos seus cânticos sagrados. Desde os primórdios, as primeiras manifestações mitológicas mais genuínas sempre foram passadas de geração a geração através da música. Isso porque em comunidades ágrafas (sem escrita histórica) o amparo em métricas, melodias e ritmos além de fortalecer-se na memória como marcadores, também marca o próprio modo como a vida expressa seus fluxos. A Odisseia e a Ilíada, poemas gregos máximos do povo grego, eram cantados por Homero. O Enuma Elish, épico Babilônico também foi composto para ser declamado, um extenso e comovente hino sobre as Origens. Tantos outros registros mitológicos de profunda beleza nos legaram os povos tradicionais de todo o mundo, e este conhecimento pouco a pouco sucumbe pela destruição sistemática de seus representantes.

No entanto, tem havido também um importante trabalho de resistência e, sobretudo, de existência, das comunidades originárias não só no Brasil como em todo o planeta. Gradativa e irreversivelmente, despertamos para essa realidade onde os saberes ancestrais não precisem estar em desvantagem em relação aos discursos e práticas modernos, mas pelo contrário, compondo assim, em união, um quadro de totalidade: o tradicional operando à partir de novas linguagens (como o digital, a troca de conhecimento remoto), e também o moderno empreendendo a difícil jornada ao encontro dos seus fundamentos, sem se deixar vencer pela fragmentação.  O Monomito se alinha a esse novo modo de compreender e experimentar a vida, e espera que isso se amplie cada vez mais, para formar uma grande teia de ações engajadas e oportunas, que defenda o planeta dos malefícios que a própria humanidade é capaz de realizar, no fim das contas, contra ela mesma.

1º Encontro
O Povos Originários – A Invenção do Índio
O Descobrimento das Américas – Visão dos povos nativos
Cosmovisão – A Essência e a Existência

2º Encontro
Cânticos Sagrados Tupi-Guarani – O Mito da Origem
Deuses da Criação – Componentes da Personalidade
Visão dos Símbolos Naturais
Encerramento: Um novo início, um novo ciclo

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Aquelas (es) que desejarem participar dos encontros devem se orientar pelas informações abaixo

Online (via Hangouts) – Gravação disponível paa quem não puder assistir ao vivo ou queira rever

Dias 18 e 25 de Agosto

Investimento: 120 até dia 15 (após essa data, 160 reais)

Método de pagamento: Paypal, Depósito ou Transferência para

Banco do Brasil, AG 3652-8 CC 61708-3

Envie o comprovante de depósito ou suas dúvidas para jdlucas.contato@gmail.com

Mitologia é a canção do Universo. Até lá!

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JD Lucas é mitólogo e escritor. Atualmente, ministra cursos de Introdução ao Mito e Mitologia Afro-Brasileira. É pesquisador membro da Joseph Campbell Foundation, e líder da RoundTable Mitológica Rio de Janeiro, célula do programa de círculos de discussão de Mitologia espalhados por todo o planeta.

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