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O Caminho do Alquimista

Até bem pouco tempo, para os que criam em adivinhações, o Tarô de Marselha era entendido puramente como um artefato divinatório. Aos céticos, o maço de cartas nunca passou de exposição gratuita, de mal gosto até, e destituída de qualquer sentido fundamental.

No entanto, as descobertas da Psicologia Analítica encontraram um lugar bem mais nobre para aquelas lâminas mal desenhadas. Foi Carl Gustav Jung quem expôs a condição simbólica da Psique; partindo de observações dos mais diversos campos do conhecimento, com o auxílio da intuição bem dirigida (pressuposto básico das grandes descobertas científicas), Jung propôs que as manifestações simbólicas contidas no Tarô de Marselha e em outras linguagens arcanas se reportam aos fundamentos intrínsecos da alma humana. São formas inspiradas por arquétipos, os núcleos mais expressivos da psique.

Sendo o Tarô um sistema de leitura e uma linguagem onde símbolos se articulam, basta que o consulente se ponha em estado de abertura intuitiva, para que, através das cartas, diante dos olhos, o inconsciente comece a revelar seus processos.

Mas que mistério cada um dos 22 arcanos maiores encerra por detrás daquelas rústicas imagens? As figuras enigmáticas parecem propor um desafio. E esse desafio é a aventura do próprio descortinar da alma, ousar revelar, carta por carta, os fundamentos arquetípicos que mobilizam a Existência. Todo arcano aponta para a alma.

Fica para nós uma questão: as cartomantes do passado e do presente são realmente capazes de ler o futuro através das cartas? É certo que o Tarô foi e é usado desde sempre como ferramenta por charlatães de toda espécie. Mas, se a psique a tudo toca e gera (no sentido de que não é possível escapar para fora dela e contemplá-la), e se está assentada sobre fundamentos universais, os arquétipos, que latejam e expressam tudo o que vive, ela é atemporal. E se é atemporal, não está limitada pelo tempo. Com isso, uma via se abre para a leitura do futuro, porque a alma humana, guardada no mistério último de sua própria transcendência, é capaz de toda revolução, e sempre será a responsável por toda grande revelação.

Você está convidada (o) a se juntar a nós na nova turma do curso

JUNG e o TARÔ – O CAMINHO DO ALQUIMISTA

À partir da observação de cada um dos 22 arcanos maiores, percorrer uma gama ampla de associações simbólicas tomando empréstimos da Mitologia e do Simbolismo Alquímico, para desenvolver um olhar aprofundado sobre as questões fundamentais, e extrair desse exercício a sabedoria para uma vida em relação direta com as suas disposições psíquicas mais profundas.

Por que a Alquimia?

Os antigos alquimistas, em sua busca pelo ouro filosófico, descortinaram muitos mistérios da psique, embora a literatura sobre isso seja intrincada e paradoxal, e não entregue imediatamente seus fundamentos. Sendo o inconsciente a origem de tudo, não poderia ser diferente: no princípio, todas as coisas está em estado de amálgama, e é o ato consciencioso que realizará a separação e diferenciação dos opostos, para em seguida reuni-los e melhor integra-los. Se a alma é um laboratório de experimentações, a alquimia nos fornecerá o código de conduta e a disposição correta para o trabalho do auto conhecimento, e o tarô será a nossa ferramenta. Todo arcano aponta para a alma.

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A Montanha dos Adeptos, de Stephen Michelspacher (ALCHIMIA, 1654)

 

Aulas e Material de Apoio

Cada um dos participantes receberá a apostila do curso, bem como indicação de todo material de apoio, além de testes, análises pessoais e textos sobre o universo dos símbolos.

Nossos encontros ocorrerão quinzenalmente, via Hangouts (ferramenta intuitiva do google para videoconferências), sempre às quintas feiras, às 21h (horário de Brasília). Além de poder participar ao vivo, todos os alunos receberão as gravações das aulas e todo o material de apoio, para assistirem e consultarem quando quiserem.

MÉTODO DA ANÁLISE SITUACIONAL

Além do conteúdo das aulas, cada um dos alunos receberá, gratuitamente, uma leitura baseada no Método da Análise Situacional, desenvolvido para investigação dos impulsos psíquicos envolvidos numa dada situação. Faz-se uma pergunta ou coloca-se uma situação e se obtém um arranjo de cartas sobre o momento, com leitura personalizada a respeito dos pontos a favor e contra, bem como as ferramentas para se revelar o potencial pleno de cada arcano, e o elemento chave envolvido no assunto. Desse modo, terá um auxílio a respeito de questões de difícil resolução. O próprio aluno, durante o curso, aprenderá, além do Método da Análise Situacional, o Método da Análise Cruzada (para estudos de relacionamento) e a A Árvore dos Ancestrais (para a leitura de heranças do inconsciente familiar).

EMENTA DO CURSO

Aula 1 – O LOUCO [Gravação Disponível]

a. Apresentação do Curso
b. Quem é o Louco?
c. O que é símbolo?
d. Inconsciente Coletivo e Mitologia
e. A Obra Alquímica e o Tarô
f. O Louco como Mercúrio

Aula 2 – O MAGO e A PAPISA [Gravação Disponível]

a. A Criação
b. Fogo e Água
d. Intuição e Sentimento
e. Sincronicidade

Aula 3 – A IMPERATRIZ e O IMPERADOR [13/10]

(Método 1 – Análise Situacional)

a. Ar e Terra
b. Rex e Regina, o par alquímico real
c. Sensação e Intuição
d. Mandala

Aula 4 – O PAPA e O ENAMORADO

a. Self – o Centro Transcendente da Alma
b. Componentes da Personalidade
c. Coagulação

Aula 5 – O CARRO e A JUSTIÇA

(Método 2 – Análise Cruzada)

a. Mercurius, o servo fugitivo
b. Separatio, a diferenciação dos opostos

Aula 6 – O EREMITA e A RODA

a. A Prisão da Alma
b. Mercurius Cativo

Aula 7 – A FORÇA e O ENFORCADO

a. Saturno e Chumbo
b. A Chave do Céu
c. O Leão Verde
d. Sol inferior
e. Nigredo – O estágio obscuro do Opus

Aula 8 – A MORTE e A TEMPERANÇA

a. Mortificatio – Destruição da Matéria
b. Corrupção e Dissolução
c. A Virtude no Opus
d. Albedo – O Estágio Branco do Opus

Aula 9 –  O Diabo e A Torre

(Método 3 – A Torre dos Ancestrais)

a. Androginia
b. Enxofre e Sal
c. Coagulação, fixar a matéria

Aula 10 – A Lua e O Sol

a. Sublimação
b. Calcinação, das cinzas às Cinzas
c. O Princípio da Analogia
d. A Obra Solar de Hermes Trismegistus
e. Rubedo, e estágio vermelho da Obra

Aula 11 – A Estrela e O Julgamento

a. A Árvore Filosófica
b. Água da Vida, a confecção do Elixir
c. Solução, purificar a matéria
d. A libertação da Alma
e. Mercurius Redivivo

Aula 12 – O Mundo – O Louco

a. Aumento e Multiplicação
b. Anima Mundi, a alma do mundo
c. Pedra Filosofal

O valor de cada aula é de R$ 50. São 12 aulas, cada uma delas abordando dois arcanos maiores. A duração do curso é de 6 meses, com duas reuniões mensais. Todas as aulas serão exibidas ao vivo, sempre às quintas feiras, e todos os alunos receberão a gravação por e-mail. Ao final do curso, cada um dos participantes será capaz de articular os arcanos maiores nas três modalidades de jogo, com referências na Mitologia e na Simbólica Alquímica.

Para se inscrever, você precisa realizar o depósito do valor da aula inaugural sobre O Louco. A conta está logo abaixo. Envie um e-mail com a confirmação do depósito para receber a gravação da aula inaugural. Em seguida, mensalmente, depositará antecipadamente o valor das duas aulas do mês (100 reais). Você será muito bem vinda (o) entre nós! Ao final do curso, será emitido um diploma de participação e êxito.

Se você chegou agora, não tem problema. As aulas estão gravadas e o material disponível.

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JD Lucas é mitólogo e escritor. Atualmente, ministra cursos de Introdução ao Mito e Mitologia Afro-Brasileira. É pesquisador membro da Joseph Campbell Foundation, e líder da RoundTable Mitológica Rio de Janeiro, célula do programa de círculos de discussão de Mitologia espalhados por todo o planeta.

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As Máscaras de Deus

Neste encontro do curso Mito e Individuação, debatemos a presença do masculino na Mitologia. O Pai, o Amante e o Herói, e suas ações ambíguas em relação ao feminino. Também falamos sobre O nascimento do monoteísmo e da herança sincrônica entre os povos indo-europeus e os povos semitas: no entanto, uma diferença importantíssima no caminho do deus do raio fez com que suas manifestações diferissem substancialmente: entre os Indo-Europeus, conforme as tribos nômades invadiam os territórios ociosos e anexavam populações, o deus do raio casava-se com a deusa do lugar. Vejam o exemplo de Zeus, talvez o deus com o maior número de amantes da Mitologia. Por outro lado, entre os semitas, o território de tomada foi o deserto, em si mesmo estéril, castigador, difícil; o deus do raio semita então passará a subjugar as deusas todas e associá-las ao demônio. O Yaweh do Antigo Testamento é o protótipo desse deus, e essa marcha, em plena forma hoje em dia, foi responsável pela criação do monoteísmo.

Por fim, debatemos a presença do masculino no Oriente, sempre pensado em oposição complementar ao feminino, ambos funcionando como princípios dinâmicos da mesma unidade fundamental, que se chama Brahma, Tao, Pan ku…

 

Assista abaixo à aula do curso Mito e Individuação. Mais detalhes veja aqui goo.gl/4Qie6a

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O Espírito Santo é Mulher

Ano passado ministrei alguns cursos de Mitologia Afro-Brasileira em Ramos, para a população do entorno, na unidade SESC de lá. O curso era gratuito e atraía gente das mais diversas orientações. Num sábado – que nem era dia de curso – pediram uma aula extra. Fomos falar sobre Ibeji, os orixás gêmeos que são sincretizados com Cosme e Damião. No fim do encontro, uma senhora dos seus 70 anos pediu delicadamente a palavra. Era uma aluna nova, que tinha aparecido, sentado, e não tinha se apresentado. A senhora então nos contou muitas coisas sobre sua experiência com crianças – tinha sido mãe adotiva de mais de 30 delas ao longo da vida. Fez menção especial à perda precoce do neto de 10 anos poucos dias antes. Era uma pessoa com o ar cansado, encurvada, e com uns olhos muito castanhos e marejados. De todas as coisas que essa senhora contou, o testemunho de uma visão 35 anos antes nos deu a dimensão do porquê aquele encontro extra precisava ocorrer.

Em primeiro lugar se apresentou como evangélica. 35 anos se serviço em nome do Senhor. Contou que num dos primeiros cultos que foi, já era uma mulher, estava orando, naquele momento fogo-no-pé da Deus É Amor, quando um vento enorme abriu as portas da igreja e – todos em transe pela presença do Espírito Santo – viu entrar pela porta, dançando como se fossem ondas, toda de azul, uma mulher muito bonita e inopinadamente espiritual. A mulher passou por ela, dançou até o altar, saudou o altar dançando e em seguida desapareceu.

Tempos depois, essa senhora identificou a dançarina de azul que dançava como as ondas, como a própria Yemanjá. Dali por diante – ela disse – começou a sua missão de pegar crianças e às vezes até adultos para cuidar. Exatamente como Yemanjá faz, nos seus mitos, com diversos orixás abandonados.

Disse que nunca tinha falado aquilo para ninguém, porque sabia que na igreja não a entenderiam. Mesmo a irmã dela, que estava presente no momento, se espantou. Ficamos todos muito tocados, porque além de toda história de vida comovente de dedicação ao outro, a mulher ainda tinha um evento insólito de combinação improvável: um orixá manifestado numa igreja evangélica que veio para saudar o altar em respeito. E uma evangélica que reconhecia o valor disso.

No fim da aula, ela disse: Se encontro alguém caído, e se esse alguém puder falar e quiser aceitar meu auxílio, não importa se quer levantar pra ir ao centro espírita ou à igreja. Vou ajudar da forma que puder pra ela chegar até lá. O julgamento não tem que ser meu. A obra é de Cristo.