arjuna e crishna

A Religião Eterna

Do Mahabharata –
Dessa água não beberás: as bênçãos do Dharma.

Enquanto os pandavas discutiam como ficar incógnitos em seu último ano de exílio na floresta, um brâmane aflito correu até eles em pedido de ajuda e disse: ‘Ó heróis, me ajudem! Está na hora de meu sacrifício diário, mas todos os meus apetrechos, amarrados num saco, foram levados nos chifres de um veado. O animal correu para dentro do bosque.’

Yudistira se levantou num salto. Como kshatriya (guerreiro), era dever deles proteger os brâmanes. Eles e seus irmãos correram para o interior da floresta mas não conseguiram capturar o veado apesar dos esforços.
Desolados por perderem o animal de vista e assim não devolverem os objetos religiosos do brâmane, eles se sentaram para descansar.
Exaustos eles procuravam por água para se recompor e terminar de vez com a busca.
Foi então que do alto de uma árvore Nakula viu aves aquáticas voando em círculo e concluiu haver um reservatório de água nas proximidades.
Assim ele partiu com uma cabaça para trazer água. Em pouco tempo chegou num lago límpido, com lótus e lírios. Quando ia beber da água ouviu uma voz grave: ‘Pare! Ó filho, esse lago é meu. Antes de beber sua água, você deve responder às minhas perguntas’.
Nakula olhou à sua volta e não viu ninguém. Como sua sede era intensa, ele decidiu beber a água e depois procurar pela voz. Mas assim que a água passou por seus lábios ele caiu morto.
Passado algum tempo, Yudistira ficou ansioso e pediu que Sahadeva fosse em busca do irmão. Sahadeva logo viu Nakula caído à beira do lago e gritou de dor. Apesar de seu lustre corpóreo, ele não respirava nem tinha batimentos no coração. Ardendo em sede, Sahadeva se inclinou para beber água quando a voz ordenou que primeiro respondesse suas perguntas.
Perplexo e não vendo ninguém, Sahadeva já com água em suas mãos a bebeu e caiu morto também.
Vendo que nenhum dos irmãos voltava, Yudistira pediu para Arjuna os seguir. Armado com seu arco, Arjuna logo os viu caídos, sem nenhum sinal de combate. ‘Quem poderia ter derrotado os dois sem lutar?’
Desesperado por água, Arjuna foi se saciar quando ouviu o mesmo aviso dado aos irmãos.
Arjuna se levantou e atirou flechas carregadas de mantras capazes de atingir alvos invisíveis em todas as direções.
Então a voz disse para ele não perder seu tempo e responder as perguntas antes de beber a água.
A fim de fazer o dono da voz aparecer, Arjuna bebeu a água mas caiu morto de imediato.
Preocupado com os irmãos, Yudistira pediu que Bima os trouxesse de volta.
Ao encontrar os três irmãos mortos, pensou que um ser poderoso os tinha derrotado e agora teria que enfrentá-lo. Portanto seria melhor saciar a sede e vencer o cansaço. Quando ia beber a água a voz ordenou que parasse. Mas ele pensou que seria melhor tomar uns goles antes da batalha. Contudo, assim que bebeu também caiu morto.
Cheio de maus pressentimentos, Yudistira resolveu ir atrás dos irmãos. Ao encontrar os irmãos ele gritou e correu até eles. Ao redor o lago estava calmo e cheio de fragrâncias, parecia ter sido transportado do céu. Mas algum perigo existia por trás daquela paz ele pressentiu.
Analisando a situação, Yudistira percebeu que o ar vital se fora dos corpos deles mas a alma ainda estava presente. Quem teria feito tal coisa? Será que o próprio deus da morte? Por quê? Olhando para o lago acreditava que a causa estava lá. Mergulhou em suas águas e, quando saiu a voz o interpelou: ‘Ó filho, não beba. Esse lago é meu. Primeiro responda minhas perguntas ou morra como seus irmãos’.
‘Quem é você? Algum deus?’, perguntou Yudistira.
‘Sou uma cegonha que vive nessas águas’.
Surpreso Yudistira viu uma grande cegonha sentada numa árvore. Então ela se transformou num ser imenso de grandes olhos vermelhos e orelhas pontudas.
‘Sou um Yaksha disse ele. A culpa da morte de seus irmãos é deles mesmos. Qualquer pessoa que desejar beber dessas águas deve primeiro responder às minhas perguntas’.
Apreensivo, Yudistira disse: ‘Não pretendo tirar o que é seu. Faça suas perguntas. Se estiverem ao meu alcance as responderei’.
‘Muito bem. Diga-me, como é que a alma cresce a partir de sua união com a matéria? Quem lhe faz companhia, quem a guia e em que ela se estabelece?’
Yudistira disse: ‘O que faz a alma crescer é o conhecimento acerca de Deus. As qualidades divinas são sua companhia, a religião eterna (sanatana dharma) é sua guia, e ela se estabelece sobre a verdade’.
Por mais de meia hora Yudistira respondeu a todas as perguntas do Yaksha. Por fim o Yaksha disse estas serem suas últimas perguntas: ‘Qual é a maior maravilha que existe? O que se conhece deste mundo e como pode uma pessoa encontrar o caminho da religião eterna?’
Yudistira ainda ajoelhado respondeu: ‘A coisa mais maravilhosa é que, embora todo os dias inúmeras pessoas viajem para a morte, o homem sempre pensa que não morrerá. O que se sabe deste mundo é que todos os seres são destruídos pelo tempo. E o caminho da religião eterna se acha nos corações dos grandes santos’.
O Yaksha satisfeito congratulou Yudistira: ‘Você respondeu às minhas perguntas corretamente. Qual de seus irmãos você gostaria que ressuscitasse?’
Yudistira pediu para Nakula voltar à vida.
O Yaksha se disse surpreso: ‘Esperava que você escolhesse Arjuna ou Bima’ – (que eram filhos da mesma mãe e os mais fortes, e assim poderiam ajudar mais numa batalha contra os kurus).
Então Yudistira replicou que escolhera Nakula porque desejava agir com igualdade para com suas duas mães. Se não optasse por Nakula ou Sahadeva, então Madri não teria nenhum filho sobrevivente. ‘Não abandono a virtude em meu próprio interesse’, completou.
Enquanto falava assim os quatro irmãos começaram a se mexer.
Satisfeito com Yudistira, e respondendo sua indagação, o Yaksha disse que ele era realmente seu pai Dharma, o senhor da religião, e que tinha vindo testá-lo.
Então Dharma quis abençoar Yudistira e lhe concedeu uma graça.
Yudistira pediu os utensílios do brâmane primeiramente.
Dharma lhe concedeu mais uma graça, e então Yudistira pediu para que ele e os irmãos não fossem descobertos em seu último ano de exílio e assim pudessem cumprir o acordo com os kurus.
Então Dharma disse: ‘Yudistira você é uma parte de mim, assim como Vidura seu tio. Peça outra dádiva’.
Apesar de satisfeito simplesmente em ver seu pai, Yudistira pediu para que sua mente sempre se inclinasse à caridade, ao ascetismo e à verdade.
Abençoando Yudistira, Dharma desapareceu e os irmãos pandavas voltaram maravilhados ao eremitério.”
Trecho do épico “Mahabharata”, recontado por – Krishna Dharma Das.

Via – Nityananda Raya


ventania

Iansã e a alquimia do Tempo

Para Luiz Fernando Brites

Um dia eu ainda vou me redimir por inteiro do pecado do intelectualismo. Se Deus quiser. Não vou mais ter necessidade de falar nada, de ficar pensando em termos dos contrários, de tudo, pra tentar explicar às pessoas que eu não sou perfeito, mas que o mundo também não é, que eu não estou querendo ser o dono da verdade, que eu não estou querendo fazer sozinho uma obra que é de todos nós e de mais alguém, que é o tempo, o verdadeiro grande alquimista, aquele que realmente transforma tudo.

Um pequenino grão de areia é o que eu sou. Só que o grão de areia já conseguiu, sendo tão grande ou maior do que eu, ser bem pequinininho, e não precisar se mostrar mais, ficar lá: trabalha em silêncio (mais mineiro, eu sou mais baiano, ainda).

Gilberto Gil

Transcrição: Karina Smith

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O Novo Culto aos Velhos Deuses Gregos

Para a maioria das pessoas, hoje os 12 deuses do Olimpo não passam de figuras da mitologia grega ou estátuas antigas que você vê quando viaja com a família para Atenas. Na Grécia, no entanto, ainda existem algumas milhares de pessoas que acreditam no poder divino dos deuses.

O chamado Dodecateísmo (que significa “adoração aos 12 deuses”) é tanto um estilo de vida quanto uma religião. Os seguidores mudam de nome para o grego antigo, contam os anos usando o calendário antigo, fazem oferendas em altares usando túnicas, sonham com a restauração de templos antigos e não negam que gostariam de promover rituais dentro do Partenon.

O “Supremo Conselho dos Nacionais Helênicos”, uma das organizações mais populares do gênero, foi oficialmente fundado nos anos 90. Desde então, alguns se separaram do grupo principal. Os membros que ficaram no SCNH se encontram regularmente para assistir palestras e realizar ritos em honra a Zeus, Atena, Asclépio e outros deuses. A principal reclamação política que fazem é que o governo grego reconhece o cristianismo, o judaísmo e o islamismo, mas não o dodecateísmo – que significa que eles não possuem um local oficial de adoração.

A equipe da revista VICE na Grécia os acompanhou em um de seus rituais.

Confira em [VICE]

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